Vender o corpo
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O texto abaixo faz parte da série de posts sobre o título do livro. Vá para a página «O título» para ler a introdução.
Se uma prostituta vendesse o seu corpo, no momento que ela fosse vendê-lo pela segunda vez, estaria portanto a vender algo que já não é seu, o que fazia dela uma ladra.
Assim sendo, se ela não é dona do seu corpo, e sendo o corpo vivo algo inseparável da alma, quer dizer que ela também não é dona das suas sensações, emoções e desejos.
Dizer que uma prostituta vende o seu corpo, quer dizer, como se fosse uma regra estabelecida, que ela não pode, por exemplo, ter prazer com os seus clientes, afinal como ela poderá sentir prazer num corpo que não é seu?
Quer dizer também que ela perdeu a sua capacidade de amar e de poder se doar, porque ninguém poderá dar para alguém aquilo que não lhe pertence.
Se o cliente comprasse um corpo, era natural que ele levasse esse corpo para casa, ou para onde bem entendesse, e que também pudesse fazer com esse corpo o que pretendesse. Quando você compra um carro você pode jogá-lo pela ribanceira se quiser, afinal o carro é seu.
Discordo dessa definição porque ela só reduz a profissional do sexo, seus serviços, sua postura, seu corpo e o que ela é por dentro. E tanto ela quanto o cliente saem no prejuízo com essa definição, porque, apenas quando ela ganha autonomia pelo próprio corpo que ela poderá dar o melhor de si, daquilo que é mais próprio e íntimo, para o outro.
«ALUGO O MEU CORPO» é um diário de um bordel onde uma prostituta aprendiz tem que lidar com todos os preconceitos e tabus da prostituição. Enquanto atende clientes, vive e convive no bordel, entre os tão ambíguos conceitos sobre o que lhe compete esta actividade, ela vai descobrindo e inventando uma nova forma de encarar a profissão.
Páginas relacionadas:
- O título
- O pretérito
Paula Lee
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