A menina transformada em mulher poderosa

Publicado em October 21, 2008
na categoriaDos leitores, Opiniões, Todas as páginas |

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Este foi um e-mail recebido lá no Espaço dos Encontros (o meu blog e site exclusivo para aqueles que pretendem ser meus amantes-amigos):

«Boa tarde,

Durante as minhas férias, li o seu livro e achei-o deveras interessante… não pela actos em si descritos mas pela transformação da menina em mulher poderosa…

Não foi fácil mas a “Paula Lee” soube passar a tirar vantagem das adversidades, lutou contra alguns principios que defendia mas os mais importantes manteve-os…

Tenho em de lhe dar os parabéns por partilhar connosco as suas vivências, instruindo-nos a todos. (…)»

Ele me enviou este e-mail no dia 04 de Outubro, e só hoje pude responder. Querido, muito obrigada!

Ele tocou num ponto muito interessante, a transformação. Eu não sou - ou não me sinto - essa mulher poderosa aí não - ainda não, risos -, mas sim, reconheço todas essas mudanças pelas quais passei, o amadurecimento, o “transformar o limão numa limonada”.

E este foi, desde o princípio, um dos meus objectivos com o livro Alugo o meu corpo, ou seja, registar essa metamorfose. Aliás, este foi desde o princípio um dos meus objectivos ao escrever os meus diários, afinal nessa altura, apesar de ter a pretensão de publicar um dia os meus diários, ainda não tinha garantia de nada quanto a isso, e escrevia sobretudo para mim.

Era isso o que eu queria perceber, a metamorfose. Todos nós somos o que somos em parte pelo que vivemos e experimentamos, por aquilo que enfrentamos, pelas lições que a vida nos dá, o meio em que convivemos, o que sofremos, o que ganhamos ao longo do percurso, o que nos torna mais ou menos seguros, etc. Então, acima de tudo, e independente de estar certa ou errada, o meu primeiro objectivo era sempre ser muito sincera nos meus diários, nas minhas reflexões, nas minhas análises psicológicas, para eu notar se, afinal, alguma coisa mudava em mim com as novas experiências.

Conforme disse, nenhuma mulher nasce prostituta. Nenhuma prostituta nasceu de chocadeira. Ou seja, antes de ela estar ali rebolando de saia curta dentro de um bordel, ela também teve uma vida muito comum, como qualquer pessoa. E era isso, exactamente isso o que eu queria retratar: como é você estar na sua vida comum, uma vida com seus altos e baixos mas muito parecida com a da maior parte das pessoas, e de repente estar ali, num bordel, um meio onde nunca antes tinha colocado os pés, um meio cheio de preconceitos, imposições e surpresas. Como é ter antes se apaixonado, ter feito sexo por amor ou paixão, e antes disso aquela paquera, a conquista, as expectativas… e de repente estar num bordel onde simplesmente o homem paga e você vai para o quarto com ele.

Não teria graça alguma se eu já começasse no ponto onde estou agora, com as conclusões que já tirei, com aquilo que já mudei. O que eu queria era ir registando o passo-a-passo dessa mudança. O que mudou e a razão de ter mudado. O que não mudou e permaneceu o mesmo.

O Alugo o meu Corpo é apenas a primeira parte, a parte da inexperiência, do desconhecido, da surpresa. Ao longo dos meus mil diários, fui notando sim, o quanto a gente vai mudando, o quanto a nossa cabeça vai se transformando de acordo com aquilo que a gente vive sim.

Uma das coisas que mais aprendi? Que é sempre possível recomeçar e seguir em frente…