Polémica: Plágio - Parte 3 (e final)

Publicado em October 5, 2007
na categoriaMais livros, Outros autores, Todas as páginas |

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Leia o post anterior: Plágio - Parte 2

É verdade que, conforme disse o Branco, ser plagiado por uma pessoa com o currículo dele foi uma puta homenagem. É até estranho, pois é, que uma pessoa com esse currículo precise plagiar alguém. Mas aí entra outra questão: se o plágio não acontecesse num jornal, se tal acto não pudesse significar um perigo para a carreira de alguém que trabalha com a escrita, será que o erro seria admitido? Se fosse uma pessoa com um blog pessoal, mas que não revelasse a sua identidade, que não tivesse projectos onde o nome limpo significasse muita coisa… será que a história teria um final feliz, ou, como avalio, mais ou menos feliz?

Porque publicou o capítulo final, creio eu que o Marconi queira encerrar o assunto, e até concordo, afinal deve ter dado uma dor de cabeça enorme. Entretanto eu aqui, enquanto leitora, não fiquei completamente satisfeita. Não quero, com isso, dizer que “ah, vamos todos jogar pedra no tal plagiador”, isso é muito feio, e, além do mais, conforme também já comentei no meu blog pessoal, por vezes temos a tendência de lembrar apenas dos erros que as pessoas cometem, como se uns poucos deslizes anulassem tudo de bom que uma pessoa possa ter feito.

Não vou ser tão implicante como já é meu hábito, e por isso não vou interpretar as últimas frases do último parágrafo do texto do Fausto Wolff como ironia, mas como um gesto de arrependimento sincero, também porque essa é uma - quase ingénua - característica minha: querer acreditar no lado bom das coisas, das pessoas e dos profissionais. Ninguém está livre do erro, essa é a verdade, e até revela o que temos de humano.

Entretanto o foco desse post - ou dessa triologia - nem é a questão do plágio, nem a minha expectativa enquanto leitora de um pedido de desculpas mais simpático, nem quero condenar ou criticar ninguém, afinal a crítica tem um poder muito destrutivo que, conforme referi, acaba por se concentrar apenas no erro e cometendo um erro ainda “pior”: esquecer dos acertos, que, mesmo podendo ser em maior quantidade, se tornam fracos perto dos erros cometidos, que sempre ganham maior atenção. O foco é, afinal. aquele velho assunto do qual constantemente estou a falar: respeito. Sim, é isso o que falta entre nós, respeito pelo outro, porque respeitar o outro é também uma forma de respeitarmos a nós próprios.

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