Prostituto dos nomes - poema do Jorge Ferro Rosa
Aquela palavra que guardas para mim,
Deusa do sexo e da verdade em elogio…
Das danças do corpo que se aluga, enfim,
Dos dedos que percorrem orgasmos, o rio
Esse que corre, aflorando neste jardim.
Devaneios que a boca percorre…
Letargias que evocam sensações
Páginas de dança nos quadris em sina
A dança do pénis e da vagina…
Doce clítoris no púbico luar,
Adormece a entrega que o ventre acolhe…
Entre baladas de sémen, essas poluções
Que da noite no leito se recolhe.
No fluxo da semente vou continuar…
Da santidade da masturbação eleita,
Com o esperma vou embelezar…
Guardar ainda como receita…
A tela que tomaste por perfeita,
Essa, que contemplo pelo forte olhar.
Da felação qual misantropia… até,
Do amor inventado que ainda não vi,
Leio páginas profundas da Paula Lee,
E na angústia de morrer no orgasmo…
Com o ímpeto do silêncio, o marasmo
Dou-me no ribombar de toda a pulsão…
Tornando-me assim prostituto dos nomes,
De todas as frases e formas da sensação.
Prostituto dos nomes falei, lá no café
Enquanto ia lendo essas páginas de erotismo,
Jogo amoroso e doce sexualidade…
É da vida o sexo a primeira necessidade
Que seja ou que não seja… pecado não é,
É de todas as verdades… a primeira até,
Votada nos excedentes doces da eternidade.
Porto, 23 de Julho de 2007 – 01:42h
Jorge Ferro Rosa
As cartas do Embaraçado - Parte 2
Essa é a segunda parte de uma das “cartas do Embaraçado”.
Porquê puta? Não há respostas a preto e branco!
Lembro de um anúncio de jornal que correu entre tanta gente, à velocidade de um clic quando se fazia forward no email recebido de outra pessoa. Não me lembro de tudo o que dizia o anúncio, mas rezava mais ou menos assim: «Bonita, escultural, culta, inteligente, com formação superior. Tenho tantas qualidades que nem sei porque fui virar puta». O que eu sorri com esse anúncio. E porque o refiro aqui? Porque em acho, não tenho a certeza, que uma das perguntas que toda a gente faz quando conhece uma prostituta é tentar perceber porquê. Porque foi violada em pequena? Porque não tinha dinheiro para comer? Porque foi enganada por alguém? Porque necessitava de dinheiro para a droga? A maioria acredita que é por razões de força maior, muito tristes. Há ainda quem possa pensar que é por ser uma libertina, uma mulher sem moral.Esta pergunta pode ganhar maior complexidade quando se conhece alguém como você. Tal como o anúncio, você também é bonita, escultural, inteligente, culta, com formação. E fico por aqui na adjectivação, que você sabe ser curta na análise que faço de você. Se juntarmos essas característica à forma como você lida com as pessoas, ao seu humanismo, é natural que as pessoas queiram perceber: porquê?
O seu livro ajuda-nos a perceber que as respostas nem sempre podem ser pretas, nem sempre podem ser brancas. Aliás, raramente são a preto e branco. O seu livro ajuda-nos a perceber quão fina é a linha de fronteira das encruzilhadas mil que se colocam no nosso percurso. Porque optamos por um caminho e não por outro? Porque estamos hoje a correr para a direita e amanhã para a esquerda? Porque duas pessoas, passando pelas mesmas situações, acabam por seguir caminhos diferentes?
Você direcciona o leitor na linha do atalho que encontrou para fazer face aos seus constantes problemas para manter a sua vida financeira equilibrada. Mas a resposta é mais complexa do que isso. E, em boa verdade, acho que não há nenhuma resposta cem por cento concreta. E, em boa verdade, acho que nem você tem a resposta toda. E, em boa verdade, chego à conclusão que estou a perder tempo e a fugir do principal se insistir muito na resposta a essa pergunta. Porque, quando se conhece a Paula, o “porquê” tem muito menos sentido do que o “como”. Ou seja, como é você, como vive a sua vida, como trata as pessoas…
Muitas vezes me assusto - pela positiva - com as cartas do Embaraçado. Às vezes ele parece me conhecer tão bem o quanto eu própria me conheço.
Post relacionado:
- As cartas do Embaraçado - Parte 1
«Sexo Comercial» - o debate - Parte 2
Tremia como vara verde quando tive que me sentar lá na frente de todo mundo. Um nervosismo natural em mim sempre nos primeiros minutos antes de qualquer apresentação. Já contava com isso, com aquele friozinho na barriga. A palhinha dançava dentro da minha lata de coca-cola.
A primeira coisa que o Nuno perguntou foi em relação à minha máscara, para que o público presente soubesse a razão.
Os meninos da NYWY falaram que as suas motivações para a criação do site foi poderem expor coisas que eles próprios apreciavam, como um amigo que indica um serviço ou produto para o outro. Quando soube do debate, fui conhecer o site. Realmente tem requinte, e inclusive eles vão dando dicas de restaurantes afrodisíacos que conheceram.
Uma realidade desconhecia, de que os produtos mais caros as pessoas preferissem comprar no exterior do que em Portugal. No final tivemos a possibilidade de conhecer um óleo com cheiro de chocolate, que eles levaram para a demonstração.
Falei sobre o mercado, sobre as imposições do mercado no que diz respeito à minha actividade enquanto acompanhante, e inclusive da ética pessoal. Explicando, há oferta porque há procura, mas isso não quer dizer que eu tenha que oferecer tudo aquilo que procuram. Exemplificando, falei que, apesar de sabermos de todas as doenças sexualmente transmissíveis, há muita procura pelas relações desprotegidas. Há, inclusive, algumas ofertas, em função dessa procura. Estava a explicar, justamente, que não é pelo facto de saber que a procura será muito grande, que devo pensar em alinhar em algo que não concorde.
Quando questionada sobre o que os clientes procuravam, expliquei que a resposta seria muito complexa. Cada um tem a sua própria motivação, e não poderia simplesmente generalizar. Há quem procure por algum fetiche, há quem procure por uma companhia, etc., etc. Há inclusive razões muito internas, nada aparentes, e para discursar sobre o tema seria impossível fazê-lo em menos de uma hora.
Falamos sobre a procura de profissionais por parte dos homens, algo que não é ainda tão comum pela parte das mulheres, e sobre os atendimentos a casais.
Em dado momento o clima pareceu um pouco tenso, não quis interromper, também porque queria mais ouvir do que falar, preferindo ficar a rasgar papéis, para fazer o sorteio do livro. Saiu o número 18, cumprimentei o rapaz que me pareceu muito educado e entreguei-lhe o livro.
Saí dali com um senhor que disse ter três livros para me oferecer. O nome dele é Luís Graça, é jornalista, e os três livros são da sua autoria: «A mulher que fazia recados às putas e mais contos perversos», «De boas erecções está o inferno cheio» e «15 desatinónimos para Fernando Pessoa». Obrigada pelos livros, Luís! Se quiser conhecer os blogs dele, estão aqui : Ganda Ordinarice, 15 desatinonimos para Fernando Pessoa, Sexo.na.Noite e O prazer da mesa.
«Sexo Comercial» - o debate
Quase chego atrasada. Não estava preocupada porque o Nuno já tinha me dito que, por norma, o encontro sempre iniciava com quinze minutos de atraso, porque as pessoas sempre se atrasavam. Para começar dei o azar de pegar um taxista lento. Depois o taxista me disse que não podia entrar naquela rua - mais tarde descobri que sim, poderia - e tive que subir «viação canelinha».
Achei o número 157. Vi algumas pessoas na porta. Pergunto pelo Nuno mas afinal ele estava lá fora, já tinha passado por ele. Cumprimentei o Nuno e ele me apresentou a Sara (Moreira), a fundadora da Associação Sentidos e Sensações, que já conhecia de imagem em função da reportagem (um amigo me mandou em formato pdf quando contei que estaria no debate). Os dois são sim-pa-ti-cís-si-mos!
Como ele disse que já não começaria ainda, fui comprar uma lata de coca-cola. Todas viagens que envolvem curvas me deixam enjoada, por isso foi assim que cheguei lá, apesar de ter disfarçado a minha indisposição.
O Nuno tinha me dito que poderiam ir umas 12 pessoas. Achei legal porque facilitava para fazer algo mais íntimo. As pessoas foram chegando aos poucos. Tinha umas 20. Algumas entraram e foram embora, outras, ao invés de entrar, ficaram espiando pelo vidro.
Contei uma parte do encontro lá no Amante Profissional, o assunto se encaixava melhor lá.
O público me pareceu inteligente, cabeça aberta, e os meninos (não consigo dizer “senhores”, são muito jovens de corpo e espírito) do NYWY eram encantadores. O Sá Leão não apareceu.
Depois conto mais detalhes.
Mapa - como chegar ao local do debate
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Bertrand de Lisboa - Colombo - «Alugo o Meu Corpo» - Esgotado!!!
Descrevi todo o passeio pelo Colombo, mas ainda não contei “a boa da vez”… o livro «Alugo o Meu Corpo» já está esgotado também na Bertrand de Lisboa, esta do Centro Comercial Colombo!
Ainda bem que, durante o jantar, não pedi sobremesa, porque esta notícia já me deixou extremamente doce.
Descer do restaurante e passar perto da loja novamente, ver aquela montra vazia (vazia= sem o meu livro) me deu um pouco de nostalgia.
Ainda não há previsão de quando o livro estará novamente por lá, mas se você fizer questão de comprar o livro no Colombo, pode fazê-lo na Worten, no Continente ou na FNAC.
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